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:: Colunistas ::

O PEIXE MORRE PELA BOCA E O HOMEM TAMBÉM...

        O velho ditado se aplica cada vez mais ao chamado “ser racional”.
Será que ele é mesmo tão racional assim?

       Os irracionais agem por instinto e nunca trocam esse instinto pelo excesso. No que diz respeito ao hábito alimentar, eles comem o que precisam para sobreviver. Muitos racionais, ao contrário, vivem para comer e, quase sempre, trocam a razão pela emoção, motivados pelos excessos. Os compulsivos (os chamados “boquinhas nervosas) que, hoje em dia, vêm crescendo substancialmente em número e em emoção, incontrolavelmente aumentam seus impulsos. Seus órgãos dos sentidos como visão, olfato, tato e audição, desenvolvem, aguçadamente, a capacidade de perceber a presença de guloseimas bem elaboradas, porém, muitas das vezes desprezíveis do ponto de vista da necessidade biológica funcional.
       Sabendo disso, o comércio especula, sensibiliza e instiga os referidos órgãos dos sentidos de maneira sábia e eficaz. Isso acontece através da sofisticação e da criatividade na elaboração de seus produtos não essenciais, usando o “ilusionismo” para atrair a presa.
       Então, o chamado ser racional, não resistindo à tentação, percebida pelos referidos órgãos sensibilizadas, responde de uma maneira bem característica: Comparativamente, da mesma forma que a ameba emite pseudópodes para agarrar seu alimento, o “ser racional” faz uso de seus membros superiores para se dirigir aos tais produtos. Quando se dão conta, seus carrinhos nos corredores do mercado encontram-se repletos de produtos promocionais e ilusórios. Então, o onívoro humano passa a deglutir em demasia produtos não essenciais, promovendo o mal estar físico, mental e social, contrariando a definição de saúde.
       Nesse contexto da alimentação, sabe-se que tudo que é ingerido será metabolizado, eliminado ou armazenado como composto benéfico ou maléfico. Sendo assim, é perceptível que, à medida que aumentamos a ingestão de substâncias não essenciais, aceleramos o metabolismo celular, gastamos mais energia, eliminamos mais resíduos e, em conseqüência, o custo/benefício é muito negativo. Ocorre, então, o stress das células e tecidos, desgastes desnecessário dos órgãos e sistemas, aumento dos radicais livres e, em alguns casos, baixa da resistência imunológica.
        Esses fatores tendem a promover, em maior ou menor grau, o envelhecimento precoce e a apatia, além disso, destaca-se o aumento da camada de tecido adiposo (obesidade) e a predisposição para várias patologias, mostrando que o homem também morre pela boca, não pela fisgada de um anzol, mas pela ABUNDÂNCIA, IGNORÂNCIA E “RACIONALIDADE”.


JOÃO BATISTA DO NASCIMENTO
Biólogo          
           


 

 
       
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